\"São seis contos longos, ou romances curtos – textos em que a linguagem, os episódios e os personagens, mas sobretudo a arquitetura e os pontos de vista com que as histórias são contadas, encaixam-se de tal maneira que parecem capítulos de um romance.\r\n\r\nComo sempre, em literatura, é a forma que enriquece ou empobrece o conteúdo, e a forma será tanto mais bem-sucedida quanto mais invisível ela for. É o que acontece nestas histórias: em cada uma delas, o leitor tem a certeza de que esta, e não outra, era a única maneira de contar, para que ficassem tão genuínas, tão convincentes e tão sutis. Todas são excelentes, sem que nenhuma tenha falhas ou enfraqueça o conjunto, e todas demonstram a segurança e mestria de um narrador que se aproxima ou se afasta, exibe-se ou desaparece para encher de mistério, dramaticidade, nostalgia ou humor aquilo que está contando.\"\r\n\r\nDo posfácio de Mario Vargas Llosa\r\nPrêmio Nobel de Literatura, 2010\r\nJornal El País, Espanha, março de 2018