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De uns anos pra cá, o interesse pela vida e obras de Jacó Armínio tem experimentado um crescimento acentuado em nosso contexto brasileiro. Contudo, a quantidade de material produzido sobre a vida e o pensamento do teólogo holandês ainda é bastante tímida, se levarmos em consideração sua tamanha relevância para a história da teologia cristã. Portanto, ao traduzirmos tal obra para o português, esperamos preencher essa lacuna e fornecer a nossa parcela de contribuição aos estudos devotados ao pensamento de Armínio. De modo especial, nos sentimos particularmente privilegiados por termos concluído a tradução e as notas deste trabalho no mês de outubro, mês este que comemora os 456 anos do nascimento de Armínio (10/10/1560) e, ao mesmo tempo, os 407 anos de sua morte (19/10/1609). Desse modo, com a publicação de Uma Análise de Romanos 9, além de oferecer ao público brasileiro essa obra inédita de Armínio em língua portuguesa, desejamos também prestar uma justa homenagem à memória desse ilustre teólogo holandês. Por fim, mas não menos importante, queremos deixar registrado o nosso agradecimento à Editora Reflexão por contribuir substancialmente com os estudos teológicos arminianos, ao publicar esse comentário quadricentenário de Armínio sobre Romanos 9. Teólogos, pastores, professores de escola bíblica dominical, leigos e demais interessados nos estudos bíblicos e teológicos certamente irão se beneficiar com o riquíssimo conteúdo exposto neste livro. Carlos Augusto Vailatti
\"“O coração tem que se apresentar diante do Nada sozinho e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia nas trevas.”\n\nA experiência da protagonista desta aprendizagem mostra afinidades tanto com as provações da bela Psiquê, do mito grego, quanto com a mística aventura da alma, ao atravessar a noite escura no Cântico Espiritual de São João da Cruz.\n\nComo um quadro cujas linhas mestras o recortassem do grande mistério que tudo contém, este livro, que “se pediu uma liberdade maior”, é a narrativa de uma iniciação e um extraordinário hino ao amor. Lóri, a mulher, faz uma longa viagem ao mais profundo de si mesma e chega à consciência total de ser. Diz: eu é; o homem, Ulisses, um professor de filosofia, que possui fórmulas para explicar o mundo, transforma-se em algo mais simples, um simples homem. Ambos serão iniciados: Ulisses fecha os ouvidos para as outras sereias porque só está disponível para Lóri, cujo verdadeiro nome é Loreley, como a personagem de Heine e de Apollinaire, uma ondina ou sereia que costumava atrair para os rochedos os barqueiros do Reno. Na verdade, cada um vai encontrar-se consigo mesmo em face do outro.\n\nPor ser trabalho, ascese, viagem, o amor de Lóri e Ulisses vence a diferença, o estranhamento, vence até mesmo a morte, ou o medo da morte. E a entrega finalmente física dos personagens se realiza com força tântrica de êxtase, de epifania. Para Lóri, “a atmosfera era de milagre”; Ulisses “estava sofrendo de vida e de amor”.\n\nNada termina, porém, o momento anuncia uma nova aurora: “Ambos estavam pálidos e ambos se acharam belos.” Clarice, que se insere sabiamente no possível, fecha com dois pontos a narrativa que começara com uma vírgula.\n\n— RACHEL GUTIÉRREZ, Escritora, tradutora e diretora da Associação dos Leitores e Amigos de Clarice Lispector\"