A verdadeira performance é aquela da nossa espécie na Terra: o modo como provocamos sofrimento nos outros, o modo como aquecemos a atmosfera ou
causamos o desaparecimento de outras espécies.
Eu me cubro de nuvens para sentir o que a Terra sente.
Conheci Cecilia Vicuña em 2004, quando performamos durante o lançamento da revista estadunidense Rattapallax, cuja edição publicava a antologia “Cities of Chance: an Anthology of New Poetry from Brazil and the United States”, que reuniu dezenas de poetas brasileiros e norte-americanos. O Teatro Paiol estava lotado e, após ter me apresentado, sentei-me na primeira fila para ver aquela poeta chilena-novaiorquina, com traços indígenas, que já havia lido em revistas. Cecília Vicuña iniciou a ação entoando um canto indígena, vocalizado de improviso, enquanto manuseava um pequeno galho de araucária, evocando, assim, os povos originários da Curitiba ancestral – Coré-Etuba. Fiquei extasiado com a sua performance, pois percebi que estava presenciando