Armênia sabia que Inácio tinha razão. Mesmo assim, ela achava que ele poderia ter sido mais duro em algumas circunstâncias. A aprovação do seu governo permitia um embate mais austero com os que fazem da vida pública um mecanismo de enriquecimento ilícito. Talvez as energias do presidente estivessem canalizadas em excesso para a sua ideia de manter o projeto político por muito tempo. É provável que se ele tivesse assumido o risco de perder o poder em troca de uma limpeza ética na política, as conquistas sociais fossem menores. Quem iria saber? A promiscuidade das relações do poder público com o privado incomodava Armênia, e ela sentia a ausência do presidente nessa questão. Ele, porém, lhe mostrava os inúmeros mecanismos aprovados para dar transparência à coisa pública, com o fortalecimento da Polícia Federal, do Ministério Público e de outros órgãos de controle. Armênia aquiescia: “de fato, muito fora feito, mas ainda não era o bastante”. A cultura do jeitinho e da corrupção endêmica n