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A MULHER QUE MORREU DA LINGUAGEM

MULHER QUE MORREU DA LINGUAGEM,A
isbn13
R$ 33,00

Hoje eu que vou acender as estrelas. Não adianta chorar, eu tomei banho de sidra e fumei o hálito da solidão. Por isso, quase rouca, deixo o bilhete. Anuncie no jornal: Pra hoje, espere um céu de estrelas bêbadas e um vento de cigarro. Você vai achar horrível, o céu não foi feito para se embebedar. As estrelas vão se tombar e, invejosas entre si: nenhuma delas vai conseguir desfilar sozinha pelo céu, fazendo o fenômeno de cadente. O vento vai rir delas, drogado, sem saber que deveria chorar. Mas isso é pra mais tarde, quando a manhã vier ele lembrará. A lua – a única imersa daquela festa, vai olhar pro sol apagado do outro lado e vai dizer: fizemos péssimos filhos! Na festa só toca um cd, e este é o seu favorito. Então você humanamente burro, mal imagina o caos do céu e olhando-o, comenta: Que lindo!

Hoje eu que vou acender as estrelas. Não adianta chorar, eu tomei banho de sidra e fumei o hálito da solidão. Por isso, quase rouca, deixo o bilhete. Anuncie no jornal: Pra hoje, espere um céu de estrelas bêbadas e um vento de cigarro. Você vai achar horrível, o céu não foi feito para se embebedar. As estrelas vão se tombar e, invejosas entre si: nenhuma delas vai conseguir desfilar sozinha pelo céu, fazendo o fenômeno de cadente. O vento vai rir delas, drogado, sem saber que deveria chorar. Mas isso é pra mais tarde, quando a manhã vier ele lembrará. A lua – a única imersa daquela festa, vai olhar pro sol apagado do outro lado e vai dizer: fizemos péssimos filhos! Na festa só toca um cd, e este é o seu favorito. Então você humanamente burro, mal imagina o caos do céu e olhando-o, comenta: Que lindo!