Cantares é um volume que reúne dois livros de Carlos Roberto da Silva: Profanação e Canções. Mas não se trata de uma reunião aleatória. As duas coletâneas mantêm
profundos diálogos entre si, quase como se uma fosse a extensão da outra. Profanação, de caráter lírico e erótico, apresenta uma arquitetura simétrica irretocável nas suas partes. Da primeira seção à última, o eu lírico, num caminho que percorre infinitas possibilidades humanas, inicia-se no espaço do profano para chegar à sublimidade do sagrado, sem que a natureza de um exclua a natureza do outro, sem que fronteiras separem as duas dimensões. É um livro em que o erotismo se mistura à própria construção da arte: tecer a poesia, tecer o desenho, tecer o corpo, sacralizar a arte e o próprio erotismo, em linguagem que mistura religião e pulsão amorosa, sagrado e profano, corpo e arte, matéria e abstração. Em meio a semelhante fusão de naturezas, não é possível dizer que o sagrado é mais sagrado que o profano, porque este também