Confrontado com a velhice e a decrepitude do seu corpo, o protagonista deste relato narrado em primeira pessoa se propõe a visitar o passado em busca dos momentos decisivos que forjaram a sua personalidade. Ao contrário de episódios edificantes, o que o narrador despeja sobre o leitor sem pudor são uma série de momentos brutalmente honestos e humanos, em que os tabus e a condição humana são tratados sem meias palavras. Um verdadeiro Acervo de maldizer, que marca a estréia do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos na ficção. Filho de uma família carioca de classe média baixa, o personagem lida com todos os clichês de sua condição: a religiosidade devota, mas vazia; a manutenção das aparências perante os vizinhos, a delinqüência latejante de futuros funcionários públicos com quem divide as brincadeiras na área comum da vila onde cresceu e, principalmente, a descoberta da sexualidade encoberta pela moralidade falsa e dissimulada dos subúrbios. “As atitudes morais dos meus pare