Dom Casmurro, fiel àquele costume de dirigir-se ao leitor, Machado de Assis encarrega a personagem de explicar, logo de início, o livro e o título. Com o livro pretende \"atar as duas pontas da vida\" e a respeito do título previne: \"Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo, de homem calado e metido consigo\".\r\nNarrado na primeira pessoa, em tom memorialista, o romance começa com a revelação do seu namoro, dele Bento Santiago e a vizinha Capitolina \"dois criançolas\", um de quinze e outro de quatorze anos, Bentinho e Capitu.\r\nNeste romance está presente em toda a sua força e a mestria do escritor que sabe velar a tragédia com o tecido ingênuo de um namoro de adolescentes, ou formal de um ameno convívio entre amigos. Velar se disse, pois não permite que o leitor a desconheça, pronunciada a todo momento chegando mesmo ao aviso de que \"beiramos um abismo\". Mas, ao mesmo tempo, não teoriza, não fornece a chave dos olhos de ressaca, parece mesmo que a não possui.