Por que uma jovem poeta, forjada na linguagem das criações contemporâneas, traria Lázaro de volta? O Lázaro bíblico, conta-se, foi ressuscitado por seu amigo Jesus depois de quatro dias sepultado e saiu andando em meio à multidão encantada com os poderes divinos. No novo livro de Natasha Felix, o regresso de Lázaro também pode ser visto como uma demonstração de poder — mas da poesia, capaz de explodir os limites do nosso mundo e da nossa mente, reavendo a vida onde pousou a morte.
Sob a aparência fragmentária e utilizando recursos da dramaturgia,
Três vezes Lázaro
une suas criaturas (deuses, fiscais fungos) para compor as cenas em que esse personagem múltiplo desfila suas/nossas chagas. A variação formal dos poemas, aliás, já é uma maneira de reproduzir as aparições e desaparições de Lázaro, o seu livre trânsito entre mundos, o seu escorregar entre real e irreal: “É tudo tão real quanto você imagina”.
É na imagem de alguém q