O consórcio entre um corajoso editor e um erudito pesquisador, além de editor, faz deste livro uma peça importante para entender o Brasil pós-64. A análise da ideologia da época, através do exame do pensamento de Ênio Silveira e suas denúncias como editor da Civilização Brasileira, aponta a resistência e a vitória, anos mais tarde, da democracia e da cultura brasileiras.
Da infância de Ênio até o trabalho na Companhia Editora Nacional e a refundação da Civilização Brasileira, o Brasil recebeu um editor de primeira grandeza e forte engajamento político, que vai definir a política progressista do país brandindo como arma a cultura e a arte impressas nos livros da CB. Os desmandos do governo militar são fustigados via os livros e a reação virá pesada para a casa editorial.
França expõe a venda da Civilização para o banqueiro português Manuel Boullosa, fato pouco conhecido hoje dos brasileiros. A pesquisa nos desvela um Ênio que, apesar de mantido como editor, vai se fragilizando aos