Na história da literatura ocidental, o problema
da formação individual adquiriu particular
importância na Alemanha a partir da segunda
metade do século XVIII. Autores diversos, como
Goethe, Gottfried Keller e Adalbert Stifter, escreveram
narrativas longas para representar a socialização
e a vida interior de personagens em busca
da própria identidade e vocação entre a infância e o
limiar da idade adulta, dando origem ao subgênero do
“romance de formação”.
Em Finissecularidade, Coelho da Rocha conjuga essa
temática tradicional e a forma da narrativa curta para
apresentar onze contos sobre a formação de jovens da
classe média carioca durante as duas últimas décadas
do século XX. Na transição entre o mundo dicotômico
da Guerra Fria e o momento de hegemonia econômica
e cultural norte-americana, os protagonistas dessas
histórias enfrentam provações de adolescência, descobrem
a literatura, a política, as artes, vivenciam a
amizade, o amor, o estranhamento e refletem sobre
seus anseios de juve