“Verdejar o mundo/ nem que seja na linguagem” — logo no poema de abertura está a senha para atravessar Quimera, novo livro de Prisca Agustoni, vencedora do prêmio Oceanos 2023. Aqui, a poeta suíço-brasileira escreve consciente de que estamos em meio a um colapso ambiental cada vez mais evidente e assustador, e nos convoca à luta.Em cada uma de suas cinco seções, Quimera despe diferentes dimensões desse ser (nós!) que se coloca fora da natureza, por vezes acima dela e, sobretudo, contra ela. A poesia de Agustoni nos lembra do óbvio: somos natureza. E, aos poucos, um mundo mais vivo vai se revelando: ter árvores crescendo dentro do corpo, usar a escrita como uma maneira de cultivar a terra, ser fera, ver uma paisagem viva dentro de um animal dissecado. A cada camada que o olhar da poeta arranca, fica mais evidente que somos, a um só tempo, nossa maior ameaça e a única aposta possível.Os animais em volta e tudo que há de animal em nós, o verde que ainda resta e toda a natureza são as marc