Hoje estou bem, mas teve uma época da minha vida que eu me perdi de mim, vivi minha morte pessoal, foi do caralho. Hoje moro sozinho, não estou com ninguém; então, quando chega o final de semana, fico em casa escrevendo sobre a minha vida nas páginas dos meus livros. Queria te falar da minha demência por ter vivido o que eu vivi: conheci profundamente a depressão, ficava em casa o dia inteiro sozinho, nessa época eu era casado, minha mulher e minha filha saíam pra trabalhar, e lá estava eu... sozinho. Eu passei a morar na sala, ela virou meu mausoléu particular, era eu, a sala e as paredes, cara, as paredes ficavam preocupadas comigo, elas nunca sabiam o que eu ia vociferar, elas tinham medo de mim... eu tinha medo de mim. Nunca vou conseguir explicar o que eu estava sentindo, era um misto de nada com coisa nenhuma, um vazio tão profundo, eu... eu dei significado à palavra nada, eu fui o vazio. Nos dias atuais, passado pouco mais de três anos daquela loucura, eu ainda não sei direito o