O gato, só o gato surgiu completo e orgulhoso: nasceu completamente terminado, caminha só e sabe o que ele quer. Em 1964, em carta ao amigo Giuseppe Bellini, Pablo Neruda manifestou a intenção de criar uma coletânea de poemaschamada Bestiário. Anos após a morte do poeta, Bellini, um dos maiores estudiosos italianos de literatura hispânica, além de tradutor e editor, retomou o projeto seguindo as orientações recebidas: reunir poemas dedicados a aves, animais marinhos e terrestres. As odes aqui reunidas são o resultado desse trabalho a quatro mãos; cada uma é dedicada a um animal específico: ao cavalo, ao elefante, mas também à borboleta, ao gato e ao lagarto... ou à aranha, a quem o eu lírico gostaria de pedir que lhe tecesse uma estrela. Essas criaturas testemunham o charme primitivo e vital da terra ancestral de Neruda. O eu lírico se torna um albatroz, prestes a morrer nas areias das praias chilenas; quer conversar com porcos e cavalos, quer aprender com os gatos, orgulhosos e indi