Publicado na Itália, dois anos antes do primeiro volume de Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua (1995), este pequeno texto de Agamben poderia ter sido completamente ofuscado pela proximidade com o livro mais conhecido do filósofo italiano, não fosse Bartleby um dos personagens mais insistentes em sua obra e a categoria de potência, aqui longamente desenvolvida, a mais importante de todo o seu pensamento. Essa edição da Editora Autêntica contém o ensaio de Agamben sobre Bartleby, personagem do clássico conto de Herman Melville, acompanhado da tradução do próprio conto. Aqui, o filósofo italiano pretende que, mais do que uma zona de indiscernibilidade entre o sim e o não, o preferível e o não preferido, a figura de Bartleby, e a sua fórmula desconcertante – “preferiria não” – abrem, sobretudo, uma zona de indiscernibilidade entre a potência de ser (ou de fazer) e a potência de não ser (ou de não fazer). A ideia de uma “potência de não”, que faria fortuna em seu pensamento posterior, já está aqui claramente delineada, neste que é, seguramente, um dos mais belos ensaios do filósofo italiano.