Sempre corremos o risco e sempre alimentamos o desejo de sermos transformados ou transformadas pela leitura de terminarmos os livros que lemos diferentes de nós mesmos ou nós mesmas. Mas também sempre corremos o risco e sempre temos certo medo de perdemos o controle e nos tornarmos diferentes demais de sermos fagocitados ou fagocitadas pelo seu modo de ver mundo ao invés de fagocitá-lo ao invés de apropriá-lo como mais um conteúdo. Mas precisamos sempre perguntar o nosso modo de ver o mundo que o livro subverteu e reduziu a cinzas era mesmo nosso? E o novo mundo que agora pulsa em nosso peito e que agora quer se expandir e se afirmar não podemos assumi-lo como nosso? Não podemos até mesmo reconhecê-lo como nosso? Murilo Seabra