Os três estudos apresentados neste livro procuram laborar na determinação de uma única ideia, a de que, sob o gesto de transgressão, para usar o termo de Barbosa Filho, ou de origem, no sentido germânico da palavra, Ursprung, o de salto originário,salto que faz gerar, dir-se-ia, no sentido de parto, mesmo, para usar os termos de Costa Andrade, a poesia de Augusto dos Anjos é a porta de entrada da modernidade brasileira em questão de poesia. Na comprovação dessa ideia convergente, em que o trato crítico-literário dispensado por ambos os autores não dispensa o uso de intuições filosóficas fecundas, como a chamada de atenção, por parte de Barbosa Filho, da unidade inextrincável de intuição e intelecto na poesia angelina, os autores devem descobrir, independentemente um do outro, um mesmo filão, quiçá inusitado, para a compreensão do poeta maior, a estrutura cindida de sua complexa subjetividade poética, e o quanto isso pode relevar de seu comportamento em relação aos estudos, à vida estudiosa.