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ESTORIAS DA CASA VELHA DA PONTE - 14ª ED

ESTORIAS DA CASA VELHA DA PONTE - 14ª ED
Editora: GLE - GLOBAL
edição
isbn13
Número de páginas
Peso
Autor
Editora
R$ 72,90
Como toda residência de interior habitada muito tempo pela mesma família, a casa velha da ponte vivia cheia de histórias. Construída em pedra, madeirame e barro, com as suas folhas de portas pesada de árvores fortes descomunais serradas a mão, a suasenzala desativada e seus imensos portais, a própria casa já era uma parte viva da história da cidade de Goiás Velho. br As suas paredes presenciaram histórias de amor e suicídios de escravos, enquanto lagartixas buscavam as brechas para se aquecer. Um dos antigos proprietários, recebedor dos quintos reais, tinha se apossado do dinheiro do estado. Para fugir à prisão, teria ocultado no porão moedas e barras de ouro, dando origem assim à lenda do tesouro enterrado. Mais tarde, em época de esplendor, a família só almoçava sua gorda feijoada goiana em pratos e talheres de ouro. br Tradições como essas embalaram a infância de Cora Coralina, criada na velha casa, já então decadente, cerradas portas e janelas, resguardando de olhar estranho o desmazelo e a pobreza que se instalavam. Essas histórias domésticas e outras vividas na cidade, que impressionavam a menina, são o material vivo e humano do livro, registro de velhas tradições e, ao mesmo tempo, retrato fiel e pitoresco de uma comunidade do Brasil Central no final do século XIX e início do século XX, com as suas prostitutas segregadas, vivendo em becos, capazes de valentias, como a narrada no delicioso Minga, zóio de prata, os famosos raptos de donzelas i Cortar em Riba do Rasto i , tão freqentes no Brasil antigo, as solteironas Quadrinhos da Vida. br Nem faltam as estórias de assombração e assombramento i Procissão das Almas, O Caso de Manai , sempre tão vivas no imaginário popular, narradas com aquela insuperável simplicidade e leveza de Cora Coralina, encanto de seus versos, encanto de sua prosa.
Como toda residência de interior habitada muito tempo pela mesma família, a casa velha da ponte vivia cheia de histórias. Construída em pedra, madeirame e barro, com as suas folhas de portas pesada de árvores fortes descomunais serradas a mão, a suasenzala desativada e seus imensos portais, a própria casa já era uma parte viva da história da cidade de Goiás Velho. br As suas paredes presenciaram histórias de amor e suicídios de escravos, enquanto lagartixas buscavam as brechas para se aquecer. Um dos antigos proprietários, recebedor dos quintos reais, tinha se apossado do dinheiro do estado. Para fugir à prisão, teria ocultado no porão moedas e barras de ouro, dando origem assim à lenda do tesouro enterrado. Mais tarde, em época de esplendor, a família só almoçava sua gorda feijoada goiana em pratos e talheres de ouro. br Tradições como essas embalaram a infância de Cora Coralina, criada na velha casa, já então decadente, cerradas portas e janelas, resguardando de olhar estranho o desmazelo e a pobreza que se instalavam. Essas histórias domésticas e outras vividas na cidade, que impressionavam a menina, são o material vivo e humano do livro, registro de velhas tradições e, ao mesmo tempo, retrato fiel e pitoresco de uma comunidade do Brasil Central no final do século XIX e início do século XX, com as suas prostitutas segregadas, vivendo em becos, capazes de valentias, como a narrada no delicioso Minga, zóio de prata, os famosos raptos de donzelas i Cortar em Riba do Rasto i , tão freqentes no Brasil antigo, as solteironas Quadrinhos da Vida. br Nem faltam as estórias de assombração e assombramento i Procissão das Almas, O Caso de Manai , sempre tão vivas no imaginário popular, narradas com aquela insuperável simplicidade e leveza de Cora Coralina, encanto de seus versos, encanto de sua prosa.