Após anos de estudos e de intensa observação, J. W. Goethe publica em 1790 o breve tratado sobre A metamorfose das plantas. Com exceção de uns poucos nomes que enxergaram a amplitude de suas considerações, a recepção ficou aquém do esperado. Seriam necessárias algumas décadas para que as teorias de Goethe, escritas na contramão do mecanicismo dominante em sua época, alcançassem a devida ressonância.
A intuição genial do poeta, tanto na botânica como em outros campos da ciência, consistiu basicamente em não tomar os fenômenos de modo estático, mas sim em sua perpétua mutabilidade, indagando então as leis que regem as suas transformações. Partindo do espanto primeiro — como é possível a Natureza apresentar uma tamanha exuberância de formas? —, Goethe formula a ideia de morfologia, cuja atenção se volta, no estudo dos organismos vivos, não para as formas fixas, mas para as formas de transição, as formas em devir, com fundas implicações para a biologia, a antropologia, a teoria da lingu