República e império, objeto de desejo e de repulsa, fornalha em que a liberdade e a violência, a ingenuidade e o cinismo teimam em se confundir: por onde se olhe, os Estados Unidos são um enigma a céu aberto. É justamente esse enigma que, pelo ângulo da cultura, Franco Moretti tenta decifrar em Um país distante. Nestas páginas breves e argutas, assinadas por um dos grandes críticos de nossos dias, a indagação do autor conduz o leitor por uma galeria de nomes decisivos das letras, das artes e do cinema norte-americanos.
Versão por escrito de aulas em Stanford, Um país distante começa por uma aposta central para Moretti: mais que simplesmente “desmascarar” os vínculos entre as formas artísticas e as forças históricas, o verdadeiro alvo da boa crítica materialista consiste em ressaltar as maravilhas de que só a arte e a literatura são capazes. Vistas ou lidas assim, as obras selecionadas por Moretti lançam luz reveladora sobre a história que as viu na