Diz-se que “o Brasil não é para amadores”. É uma frase espirituosa, sempre repetida em tom de resignação filosófica, como quem explica o inexplicável com um ditado popular. Porém, trata-se de uma expressão naïf.
O Brasil, com toda a sua inventividade institucional, suas crises políticas em ritmo de telenovela e sua economia que alterna entre euforia e ressaca, pode até assustar novatos. Porém, quando se fala em transformar a vida pública numa ópera tragicômica, o verdadeiro especialista está do outro lado do Rio da Prata.
Na Argentina, o improvável é regra e o impossível, só uma questão de tempo.
Enquanto no Brasil a política parece uma série de temporadas intermináveis de escândalos previsíveis, na Argentina ela é um teatro barroco em que a trama muda de gênero no meio do ato: hoje é drama, amanhã musical, depois comédia absurda. Se o Brasil exige do cidadão jogo de cintura, a Argentina exige acrobacias circenses, resiliência psicológica e, de preferência, uma tese de dout