“Bonito pra chover” era anúncio e promessa. Dizia do peso do céu e da esperança contida na espera. Assim são estes poemas: nuvens carregadas de passado que ainda precipitam. Dentro delas, Fortaleza, Guaramiranga, Ribeirão Preto — não como cidades, mas como vozes, gestos, respirações. Lugares onde o afeto criou morada. Onde as mãos dos avós sustentaram o mundo. Onde o quintal foi origem, e a terra, depois da chuva, voltou a escurecer. Os avós atravessam o livro como raiz profunda. Estão no cheiro da terra molhada, no bolinho de polvilho feito sem receita, no tempo demorado das coisas cuidadas. São presença que não passa, memória que ancora. Eles estão também na dedicatória de Marisa, em Bonito pra Chover. Há flamboyants em flor, amigos de rua, ventanias súbitas, chuvas sem aviso. Há um sertão aprendido pelo afeto, não pelos mapas — reconhecido no gesto, no olhar atento, na escuta paciente. Tudo pulsa com a delicadeza do que foi vivido sem pressa.
Também há as partidas. Os filhos que se