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DEPRESSOES

DEPRESSOES
edição
isbn13
Número de páginas
Peso
Autor
Editora
R$ 94,90
Há uma grande e amarga ironia histórico-literária que emana de autores como a romena naturalizada alemã Herta Müller, a consagrada autora dos contos de Depressões. Se, de início, em obras como Robison Crusoe, de Daniel Defoe, a então nova prosa de ficção ainda podia louvar o herói capitalista, empreendedor e individualista, pouco depois, já a partir da Revolução Francesa e das jornadas revolucionárias do século XIX, a prosa de ficção se torna, como nos grandes autores russos e, principalmente, no naturalismo e no realismo, em Flaubert como em Zola, a forma por excelência de “desconstrução” crítica da sociedade burguesa. Sociedade burguesa que o socialismo da Romênia natal de Herta Müller deveria sepultar, sepultando assim, de roldão, a arte crítica, que passaria então a ser arte “revolucionária” ou “popular”. Mas, como se sabe, as coisas não saíram conforme planejado. \r\n\r\nDaí as obras de autores como Pasternak, Soljenítsin, Kertész – e Herta Müller. Se há em Müller ecos de Brecht, de Kafka, de Beckett, a sociedade que ela “desconstrói” – ainda que não explícita ou diretamente – é, porém, socialista. Por um lado, isso serve para reforçar, através da arte, o que a história e a política já decretaram: a falência do chamado “socialismo real”, apesar dos não-eventuais saudosistas. Por outro lado, demonstra que a literatura, em que pese o reinado da cultura de massa, ainda tem muito a dizer sobre a dimensão política da condição humana. Por exemplo, que a velha e persistente questão entre pão e liberdade (capaz de levar defensores do regime cubano a ainda o apoiarem em nome da oferta de “pão”, apesar da desoferta de liberdade), é uma falsa questão: pois nem só de pão vive o homem. E se a miséria no sistema liberal capitalista torna a liberdade uma falácia, a opressão nas ditaduras de todas as cores torna o pão insuficiente. A realidade, enfim, é mais complexa do que pretende a vã ideologia. Daí ainda precisarmos de escritores como Herta Müller.\r\n
Há uma grande e amarga ironia histórico-literária que emana de autores como a romena naturalizada alemã Herta Müller, a consagrada autora dos contos de Depressões. Se, de início, em obras como Robison Crusoe, de Daniel Defoe, a então nova prosa de ficção ainda podia louvar o herói capitalista, empreendedor e individualista, pouco depois, já a partir da Revolução Francesa e das jornadas revolucionárias do século XIX, a prosa de ficção se torna, como nos grandes autores russos e, principalmente, no naturalismo e no realismo, em Flaubert como em Zola, a forma por excelência de “desconstrução” crítica da sociedade burguesa. Sociedade burguesa que o socialismo da Romênia natal de Herta Müller deveria sepultar, sepultando assim, de roldão, a arte crítica, que passaria então a ser arte “revolucionária” ou “popular”. Mas, como se sabe, as coisas não saíram conforme planejado. \r\n\r\nDaí as obras de autores como Pasternak, Soljenítsin, Kertész – e Herta Müller. Se há em Müller ecos de Brecht, de Kafka, de Beckett, a sociedade que ela “desconstrói” – ainda que não explícita ou diretamente – é, porém, socialista. Por um lado, isso serve para reforçar, através da arte, o que a história e a política já decretaram: a falência do chamado “socialismo real”, apesar dos não-eventuais saudosistas. Por outro lado, demonstra que a literatura, em que pese o reinado da cultura de massa, ainda tem muito a dizer sobre a dimensão política da condição humana. Por exemplo, que a velha e persistente questão entre pão e liberdade (capaz de levar defensores do regime cubano a ainda o apoiarem em nome da oferta de “pão”, apesar da desoferta de liberdade), é uma falsa questão: pois nem só de pão vive o homem. E se a miséria no sistema liberal capitalista torna a liberdade uma falácia, a opressão nas ditaduras de todas as cores torna o pão insuficiente. A realidade, enfim, é mais complexa do que pretende a vã ideologia. Daí ainda precisarmos de escritores como Herta Müller.\r\n